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Espaço do Conto

Espaço minimalista, mas a fervilhar de criatividade, dedicado à partilha de microcontos. É hora de soltar a alma!

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Das paixões platónicas

Saí da minha cabeça! - gritou desesperada depois de passar 12h ininterruptas a pensar nele. Saí da minha cabeça - repetiu agora com mais calma, um pouco culpada de ter sido rude com ele, ainda que em pensamento.

Soltou uma expiração pesada tentando expulsar pelo nariz todas as fantasias que lhe povoavam a mente. Pedro! Pretensioso sem dúvida, com a profundidade emocional de uma criança de 5 anos, filho único, possivelmente mimado e com quem não tinha rigorosamente nada em comum.

Mas havia outros factos a considerar: alto, com uns braços alvos e tentadoramente demarcados que desembocavam numas mãos grandes e ágeis, cuja a suavidade nunca a deixavam de surpreender. Os seus olhos de um modesto tom de castanho, deixavam transparecer uma profundidade e meiguice impercetíveis no seu carácter.

Não eram de todo compatíveis, mas ainda assim tudo nele a atraia insuportavelmente.

Nunca se cruzaram pela rua, ou se encontraram num desses acasos fortuitos a que as pessoas chamam de destino. Pelo contrário, viam-se pontualmente 1 vez por semana, no ginásio lá da terra onde ele trabalhava como instrutor na sala de musculação.

Não era "amigos" nas redes sociais, nem ela era, uma das muitas fanáticas do fitness com quem ele costumava conversar. Ainda assim era simpático e deixava-lhe umas piada no ar, a menos que o ginásio estivesse mais lotado que o habitual, nesse caso ela rapidamente tornava-se invisível.

Como tal S. Maria, tomada pelo desespero de já não ter idade para paixões platónicas, nem um estilo de vida compatível com a sua imaginação fértil e desenfreada, resolveu puxar o travão. Munida de umas gramas de amor-próprio e de muita força de vontade, transformara a frase "sai da minha cabeça" num mantra diário, que repetia religiosamente até a exaustão, embora sempre fraca em convicção.

S.

Amo-te (talvez)

(Acho que) não te amo mais!

Embora não o admitas, julgo que tu também já te apercebeste que vivemos um amor medíocre, e que o sobrou de nós, é um mero vulto, esfarrapado e cobarde, daquilo que outrora fomos. E nós, meu amor, já fomos tão Grandes!

Mas recuso-me a desistir, e embalada pelo desespero abraço-te com força (como se tivesse medo de te perder) e digo: Amo-te. Um fio de sal escorre-me das orbitas, enquanto rezo baixinho para que as minhas palavras ainda sejam verdade!

 

A noite!

O sol põe-se no meu horizonte, cedendo o espaço às trevas. Perdi o rumo, ao longe consigo ouvir o ribombar do mar, uma sinistra musica ambiente. Consigo sentir na pele salgada a fúria com que ele se entrega as rochas aguçadas no fundo do penhasco. Esta perto, muito perto, e eu pareço incapaz de evita-lo. 

Já transpus o portal da exaustão. A terra negra prende-me os pés, enquanto as árvores desnudas que deixo para trás murmuram continuamente, silenciosamente, toda uma história, toda uma vida. Os minutos passam; tic-tac, tic-tac; o relógio trabalha num compasso acelerado conduzindo os ponteiros na direção do fim.

Chuva!

No seu peito batia o mesmo coração pesado e pusilânime, que teimava em perturbar a quietude da noite com o seu trovejar descompassado. Alva não tinha mais palavras: haviam escorrido com as águas turvas das primeiras chuvas de outono.

Carcereiro

Era desde a puerícia um espírito inquieto e assustadiço. Pelas veias estreitas e nobres corria-lhe um líquido gelado e subnutrido, incapaz de lhe fazer pulsar o coração. O seu espectro macilento deambulava pelas ruas, vergado e contraído, sem uma espinha dorsal capaz de lhe sustentar o caráter e de lhe conceder a altivez necessária.

Vivia aprisionado - sem nunca ter descoberto que possuía dentro de si  a chave para a liberdade.

Degelo

As gotas de chuva jorravam violentamente e um pesado manto cinzento havia-se apoderado da cidade, outrora vivaz. Nessa tarde sombria, o degelo chegou sobre a forma de uma generosa fatia de lasanha, cremosa e fumegante: por fim a felicidade! 

Rosa Nefelibata

Rosa Maria dançava energicamente pela cozinha: a salada de maçãs verdes e bacon estava pronta a servir e o forno começava a verter um tentador aroma a lasanha.

Esperava ansiosa, a chegada do seu moreno, envergando a t-shirt preta do costume - rota e com um losango vermelho,fazendo referência a uma desconhecida banda de rock.Nefelibata assustou-se com o zunir da campainha e deixou cair sobre os pés descalços, o copo translucido de ice tea que tinha nas mãos.

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